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Os cabelos crespos estão na moda.

Longe da perfeição do babyliss, os cachos rebeldes e até com fios arrepiados estão em alta entre famosas e anônimas


Quando Claire Mazur se casou no verão passado, ela mesma cuidou do penteado. "Todos pareceram surpresos, mas não deixo ninguém cuidar do meu cabelo crespo", diz.

A noiva não queria fazer escova no cabelo. Dona do site de venda de roupas Of a Kind, Claire é tão ligada a seus cachos que o fato de seus namorados gostarem ou não do cabelo se tornou uma espécie de prova decisiva para a viabilidade do relacionamento. Ela acrescenta que o marido adora o cabelo ondulado.

A exemplo de Claire, outras mulheres estão descartando salões de beleza para fazer escova e a promessa de um cabelo liso temporário em prol de um visual encaracolado a um só tempo natural e moderno. A revista "Harper's Bazaar" publicou recentemente que "deixar secar naturalmente é a nova escova" em reportagem que elogiava o cabelo desgrenhado, acrescentando que as "escovas perfeitas com pontas voltadas para dentro e elasticidade balançante saíram da preferência das garotas antenadas por enquanto".

E os sinais estão todos ao redor. Artistas de grande visibilidade como Lorde, St. Vincent e Rita Ora fizeram dos cachos parte de seu visual. Queridinhas do mundo das artes como as jovens fotógrafas Olivia Bee e Petra Collins também estão abandonando a escova. O visual tem estilo, mas é meio bagunçado, chegando mesmo a aceitar um pouquinho de fios arrepiados. E com o novo interesse em cabelos crespos, aumenta a procura por salões que saibam lidar com eles.

"As pessoas querem ter controle demais sobre o cabelo, mas tudo que se tenta controlar demais perde a mágica", diz Laura Connors, cabeleireira do Seagull, salão de beleza da cidade de Nova York especializado em cabelo crespo. "Estou tentando fazer meus clientes aceitarem não um halo em forma de pufe, mas um pouco de cachos. É um visual realista e sensual".

Porém, mesmo que os cachos agora estejam na moda, é difícil se livrar de estereótipos persistentes, tais como a presunção de que mulheres de cabelo encaracolado são "maluquinhas, bobas e não podem ser levadas a sério", nas palavras de Kim France, fundadora da revista "Lucky" e blogueira do “Girls of a Certain Age”.

"Existe um viés cultural total contra mulheres de cabelo cacheado", diz Kim, que já passou pelas fases de usar o cabelo ondulado e liso. "As cabeleireiras são muito esnobes, pouco criativas com cabelo crespo".

Pouco ajuda que celebridades que usam cabelo cacheado (como Taylor Swift ou Sarah Jessica Parker da época de "Sex and the City") tenham um visual cuidadosamente penteado e de alta manutenção que é quase impossível de reproduzir em casa.

"Fica na cara que pegaram um babyliss e cachearam o cabelo inteiro", afirma Astrid Chastka, estilista de moda. "É quase como 'não, você não fez isso sozinha'. Vamos ver isso sem um cabeleireiro".

Existe um consenso geral de que os cachos têm vida própria. "Eles vão se mexer, cada dia ficando de um jeito, e é preciso levar em consideração a umidade", afirma Morgan Willhite, diretor criativo do Ouidad, outro salão dedicado à beleza dos caracóis, com unidades em Nova York e Santa Monica, na Califórnia. "É preciso ter o olho treinado para ver isso."

E as mulheres com cabelo encaracolado têm noções precisas de como querem ficar. "Quero um caos organizado sem ficar comportado demais", afirma Jennifer Marshall, divulgadora literária que mora em Massachusetts. "A intenção é que as pessoas sintam que podem tocar seu cabelo. Sou completamente contra cachinhos como os da Luluzinha". O volume é bem-vindo, mas "é melhor não ficar parecendo foto de formatura da década de 80", diz Astrid.

Claudine Auguste, que trabalha no Wythe Hotel, gostaria de ter mais modelos a seguir. “Gostaria de ver um desfile na passarela do Rick Owens com garotas com cabelo encaracolado grande", declara. "As pessoas julgam que você é selvagem e animada. É interessante que a percepção seja assim, mas eu não quero ter de lidar com isso."

Encontrar cabeleireiro que cuide dos cachos pode ser um desafio. "A maioria das escolas de formação de cabeleireiros é muito antiquada, pouco ensinando sobre cachos a não ser fazer escova ou usar babyliss", diz Casey Heatherley, que trabalha no salão Adelaide. Segundo ela, cabelo crespo é "todo um aprendizado". "Tem mais a ver com o formato e podar feito uma planta do que com linhas e ângulos".

Casey, que se mudou para Richmond, na Virgínia, vários anos atrás, mas continua visitando os clientes de Nova York a cada seis semanas, estudou na Devachan, que conta com salões no centro e uma linha de produtos para cabelos ondulados. Sua fundadora, Lorraine Massey, contava com uma espécie de culto de seguidores na comunidade dos cachos. Em livro publicado em 2006, ela aconselhava a evitar os xampus tradicionais e incentivava a dar estilo com os próprios dedos.

"Foi como se eu entrasse num mundo secreto de crespos fabulosos", declara Jillian Hertzman, especializada em detectar tendências de Los Angeles, sobre a primeira vez que visitou a Devachan.

Entre as mulheres que não acharam um salão para chamar de seu, algumas preferem fazer justiça com as próprias mãos. Por meio de muita tentativa e erro, Caitlin Roper, editora da "Wired", estabeleceu uma rotina que funciona para ela, incluindo escovar os cachos com condicionador e pente garfo uma vez por semana e depois aplicar o creme para cabelos crespos Living Proof. Ela sempre deixa secar naturalmente, o que é complicado quando tem compromissos logo pela manhã.

"Uma vez acordei às quatro da madrugada por causa de uma reunião às 7h", ela diz. Caitlin não confia seus cachos a ninguém, então, uma vez por ano, para aparecer na televisão, ela faz escova. Um namorado chamava sua alter ego de cabelo liso de "alisadinha".

Se existe pouco consenso entre cabeleireiros e mulheres de cabelos cacheados quanto a cortar as mechas secas ou molhadas, deixar secar naturalmente ou usar difusor, passar mousse ou gel, todos parecem concordar que existem mais e melhores produtos para cachos no mercado. Xampus sem sulfato, menos agressivos, estão disponíveis em todo lugar. E linhas de produto como Miss Jessie's deixaram de ser exclusividade da comunidade negra, que tem seu próprio movimento de cabelo natural em florescimento.

Claire Mazur disse que sua empresa recebe e-mails no serviço de atendimento ao consumidor perguntando como ela cuida do cabelo. Entre outras coisas, o processo tem várias etapas que incluem secar com camiseta e não com toalha, o uso generoso de Bumble e Curl Conscious Defining Creme e utilizar babyliss para definir os cachos entre as lavagens.

"É um jeito fantástico de manter contato com nossos clientes porque existe uma ligação causada pela chatice de ter de lidar com tudo isso".

Fonte: Delas

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